Atletas vão poder usar maconha nas Olimpíadas de Tóquio - Nowdays
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Atletas vão poder usar CBD nas Olimpíadas de Tóquio

É isso mesmo que você leu: é a primeira Olimpíada em que o derivado da planta não é mais considerado doping. Será que isso pode significar um avanço na luta para quebrar narrativas ultrapassadas sobre a maconha e quem faz qualquer uso dela? Afinal, pra quê um atleta olímpico, de alto rendimento, usaria a tal erva daninha? Bora falar disso?

by Michelle, Jun 30, 2021
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No reality check de hoje, vamos refletir sobre a importância da permissão da maconha nas Olimpíadas de Tóquio, que começa em julho desde ano, depois de ser cancelada em 2020 por conta da pandemia. Essa será a primeira competição desde que o canabidiol,  substância derivada da maconha deixou de ser considerada doping. 

A decisão foi anunciada pela WADA – Agência Mundial Antidoping –  em 2018 e confundiu a cabeça de muita gente que ainda tá presa a narrativas ultrapassadas: ‘’O que uma droga pesada tem a ver com esporte e com atletas do mais alto rendimento?’’

Maconha é considerada doping desde 1999

Quando se fala em doping, pensamos em substâncias que melhoram o desempenho dos atletas durante a competição. Mas, o que a maconha, colocada como droga pesada e perigosa por anos, tem a ver com isso? 

A Agência Mundial Antidoping foi criada em 1999, um ano depois do canadense Ross Rebagliati, medalhista de ouro no Snowboard, ver a conquista da competição de inverno escapar de suas mãos depois de testar positivo para THC

No fim das contas, ele teve sua medalha de volta, porque os canabinóides não estavam na lista de substâncias proibidas – ainda. 

A partir daí, o estigma em relação à planta estava instalado: atletas não devem usar essa droga. Era, além de tudo, uma mancha moralista na trajetória do ‘herói de uma nação’.

Quem não se lembra do caso do Michael Phelps?

O nadador e campeão olímpico Michael Phelps é protagonista de um caso inesquecível quando se fala de maconha e esportes. 

Primeiro ele deixou todo mundo de cara nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, 

Michael Phelps, nadador das olimpíadas, fumando maconha num bongquando conquistou oito medalhas de ouro. Ganhou todas as provas que disputou. Um ano depois, em 2009, ele cometeu um “erro gravíssimo”: fumou maconha. Virou assunto no mundo inteiro porque um tablóide publicou uma foto dele fumando em um bong.

Além da suspensão de três meses em competições, o nadador perdeu patrocínios e virou ‘’uma decepção para as crianças que se inspiravam nele’’, segundo a Federação de Natação dos EUA. Essa parada fez com que ele cogitasse não participar dos jogos de 2012.

Mudança nas regras

A WADA mudou as regras em relação à maconha algumas vezes desde sua criação. Em 2016, eles disseram que os atletas poderiam fumar maconha, desde que estivessem fora das janelas de competição. 

Ou seja, se um atleta usa maconha para se divertir fora das competições, ninguém pode puni-lo por isso. Mas, se eles tiverem níveis elevados de THC durante uma competição, eles serão suspensos imediatamente.

Regras atuais em relação à canabinóides:

O nível máximo de thc permitido nos parâmetros atuais da WADA é de 0,15mg. A única excessão na categoria dos canabinóides é o CBD.

Saúde mental dos atletas

Corta para 2021, primeiras Olimpíadas com a maconha liberada e com um ano de atraso por conta da pandemia. Imagina a ansiedade dos atletas? Adiamento dos jogos, isolamento social e insegurança. Como lidar com tantas mudanças diante de uma competição tão importante?

Felizmente muitos deles têm se preocupado – e falado abertamente – sobre saúde mental. O próprio Phelps abordou recentemente o assunto. A tenista Naomi Osaka se abriu sobre como as coletivas de imprensa eram gatilhos para sua ansiedade. Serena Williams falou sobre depressão pós parto.

Qual vai ser o papel do CBD nas olimpíadas de Tóquio?

Como detalhamos aqui, o Canabidiol tem várias frentes de uso. No caso dos atletas, várias questões podem ser tratadas com o CBD. Tanto mentais, quanto físicas.

Seu potencial ansiolítico tem ajudado muitos atletas a enfrentarem esse momento de incertezas. A melhora no sono também é fator decisivo para a escolha de usar a substância.

Já no caso de lesões, o CBD é um ótimo aliado na recuperação mais rápida, alívio de dor, por conta de seu efeito analgésico. 

Ou seja, usar CBD para dores, inflamações, lesões e recuperação muscular, que são companheiros de atletas de alto rendimento, é uma alternativa poderosa para tomar menos medicamentos pesados e que causam dependência química, como opióides, e que também são liberados para uso fora das janelas de competição, assim como o thc.

Plants over pills

Não é novidade que pessoas ligadas ao esporte buscam viver uma vida saudável. Partindo desse ponto, muitos atletas que irão participar das olimpíadas em julho, falam abertamente sobre os benefícios do CBD em suas vidas. E que vão usar, sim, tanto o óleo quanto pomadas e cremes de uso tópico durante a competição.

Em entrevista ao UOL, o tenista Bruno Soares foi objetivo: “Dentro do esporte, o meu corpo é a minha máquina. Eu não estaria colocando nada para dentro se não acreditasse que é pela minha saúde, para meu benefício.” 

Depois, conta como a planta está inserida na sua rotina: “Uso o óleo e os cremes para massagem, que têm uma capacidade anti-inflamatória muito boa de recuperação e relaxamento. As gotas me ajudam a trabalhar a tranquilidade, lidar com a ansiedade, desconectar um pouco. O creme, geralmente, coloco onde tenho dor e deixo durante a noite”.

Mais atletas 

A lutadora do UFC Livinha, é a primeira atleta patrocinada por uma empresa de CBD no Brasil e defende a legalização da maconha em suas redes sociais.

O skatista brasileiro Bob Burnquist, falou à ESPN Brasil sobre o assunto: “Estudos mostram um risco muito menor do que os opióides [medicamentos produzidos a partir do ópio, como morfina]. É uma ironia e uma hipocrisia o THC ser proibido e opióides não”.

Lembra do canadense que falamos no início do texto? Hoje, é empreendedor canábico, veja só. Além dele, Myke Tyson também tem empresa no setor.

Importância 

A competição será um momento valioso pra discussão sobre quem usa a planta, seja como for. Atletas de alto rendimento que têm a cannabis inserida em seu dia-a-dia são maconheiros? Vamos ressignificar essa palavra? Porque ela segue tão carregada de significados? Será que os pódios serão ocupados por aqueles que fazem uso? Vai ser legal de acompanhar… 

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