Maconha e saúde mental: Afinal, a planta ajuda ou atrapalha?
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Maconha e saúde mental: Afinal, a planta ajuda ou atrapalha?

Mais um conteúdo especial neste setembro amarelo. Hoje é dia de falar sobre maconha e saúde mental. O que as pesquisas e estudos clínicos já descobriram em relação à planta e transtornos psiquiátricos? Bora descomplicar! 

by Michelle, Sep 13, 2021
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Como tudo que envolve a planta, a informação passada costuma ser bem sensacionalista, seja à favor ou contra. Mas, o que a ciência já sabe sobre a relação entre maconha e saúde mental? No Cannabis de A a Z de hoje, vamos descomplicar.

Seguimos com os conteúdos especiais do setembro amarelo aqui na Nowdays. Neste mês voltado à prevenção do suicídio, viemos discutindo vários temas voltados ao cuidado com a saúde mental.

Já falamos sobre a revolução das terapias com psicodélicos e do hype da microdosagem. Hoje, voltamos a falar exclusivamente sobre nossa amada planta, Cannabis, que por si só rende muito papo e muita controvérsia. Afinal, a maconha ajuda ou atrapalha questões psiquiátricas?

Enquanto o estigma em torno da maconha segue sendo reafirmado, do outro lado, promessas mágicas e meias verdades rolam soltas. Quando se fala em saúde mental, então, vish. Piora tudo! Por isso, tamo aqui pra te abastecer com fatos e ciência. Informação é a maior arma que temos, né? 

Pra começar esse papo, bora relembrar alguns pontos importantes sobre a maconha. 

Diferente de quando falamos de substâncias específicas, como o MDMA, ao falar de Cannabis, temos que considerar os mais de 100 canabinóides já identificados na planta. São centenas de componentes químicos presentes em diferentes quantidades, dependendo da variedade em questão.

Os canabinóides mais conhecidos, THC e CBD, também são os mais estudados. O THC é o responsável pela chapação, por isso é demonizado e até meio menosprezado. Já o CBD é tido como a salvação do planeta, a cura para todos os males. 

Se você acompanha a gente, já sabe que não é bem assim que a banda toca. A gente entende a planta como um todo. O THC também tem propriedades terapêuticas e é usado para tratar várias condições, inclusive psiquiátricas. Mesmo assim, a possibilidade de bad e paranóia também são reais.

A chave mágica pra entender os efeitos da planta está no nosso Sistema Endocanabinóide. Ele é responsável por manter o equilíbrio das principais funções do nosso corpo, e os canabinóides da maconha, como o CBD e o THC, são compatíveis com receptores espalhados em nossas células. 

Histórico familiar

Quando o assunto é saúde mental, a situação desse irmão ‘do mal’ azeda mais ainda. O THC é ativador de transtornos mentais, como esquizofrenia? 

Vamos aos fatos. Por muito tempo, a substância era entendida como o único ativo presente na maconha. O proibicionismo atrasou os avanços e perpetuou um estigma de droga perigosa na planta, que tá aí até hoje.  

Pessoas com predisposição genética a transtornos psicóticos devem evitar o uso de THC, ou ser extra cuidadosos. Como saber se você tem predisposição? Histórico familiar. Se você tem um parente de primeiro grau – mãe, pai, irmão, irmã ou filho – com histórico de algum transtorno psicótico, você tem predisposição genética.

Segundo matéria do Leafly, o risco é maior quanto mais próximo você estiver do indivíduo afetado. Por exemplo, o risco de esquizofrenia é 6,3x maior naqueles com um parente de primeiro grau afetado e 2,4x maior naqueles com um parente de segundo grau afetado. Os parentes de segundo grau incluem tias, tios, sobrinhas, sobrinhos, meios-irmãos, avós e netos. 

Neste artigo da UFRG sobre o assunto, os autores explicam: ‘’Vários genes estão envolvidos na relação entre consumo de maconha e esquizofrenia, o que faz sentido já que essa é uma condição causada pela interação entre fatores genéticos e ambientais. Assim, indivíduos portadores de certas variantes genéticas que fumarem maconha têm maior predisposição para o desenvolvimento de transtornos psicóticos do que indivíduos não portadores – principalmente se for consumo frequente de maconha de alta potência durante a adolescência.”

CBD pra ansiedade e burnout

O canabidiol teve resultados promissores num teste clínico realizado aqui no Brasil, pelo Hospital Universitário da USP de Ribeirão Preto (SP). O CBD foi usado para tratar a síndrome de “burnout”, o esgotamento físico e mental extremo, em um grupo de médicos e profissionais de saúde na linha de frente do combate à pandemia. A substância reduziu sintomas de fadiga emocional em 25% dos voluntários, depressão em 50% e ansiedade em 60%.

Além desse estudo específico para tratar burnout, o potencial ansiolítico do CBD, o canabidiol, vem sendo estudado amplamente pra tratar diversos transtornos de ansiedade.

Em um estudo duplo-cego realizado em 2019, 37 adolescentes japoneses com transtorno de ansiedade social (SAD) receberam 300 mg de óleo de CBD ou placebo todos os dias durante quatro semanas. As propriedades ansiolíticas do CBD reduziram os sintomas ligados ao distúrbio, proporcionando um alívio comparável à Paroxetina, um medicamento comumente usado para tratar a doença.

Apesar de em doses altas ter o efeito oposto, o THC na dose ‘certa’ também pode ajudar em algumas questões ligadas a transtornos de ansiedade. Como contamos semana passada, a microdosagem de canabinóides já é uma realidade como ferramenta de bem-estar. 

Expectativas foram criadas, a gente sabe. Mas, o caminho ainda é longo. Quando o assunto é saúde mental, o individual conta demais. E cada experiência é única quando se trata de psicoativos no geral. Bora aguardar mais avanços da ciência e usar a planta com responsabilidade acima de tudo. Redução de danos, né?

Quanto à pergunta inicial. Maconha ajuda ou atrapalha na saúde mental? A resposta é: depende! Do seu uso, da dose, da frequência, da potência, do histórico familiar… Muitas questões. 

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