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Maconha na terceira idade: Benefícios e riscos

No Cannabis de A a Z de hoje vamos mergulhar no uso da maconha entre idosos. Além dos vários potenciais medicinais e terapêuticos também existem riscos, claro. 

by Michelle, Sep 17, 2021
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Só essa semana já falamos por aqui sobre a relação da maconha com saúde mental e o uso da planta na adolescência. Hoje, vamos mergulhar nos benefícios e riscos do uso da maconha na terceira idade. 

Apesar de já serem comprovados vários usos terapêuticos da cannabis para questões comuns entre idosos, a idade avançada é um momento delicado e vários pontos de atenção precisam ser considerados.

Com o avanço da legalização da maconha nos Estados Unidos, o uso terapêutico da planta por pessoas idosas aumentou mais de 8 vezes nos últimos anos: de menos de 0,5% em 2006 para 4,2% em 2018. Em 2019 já eram 5% e com a chegada da pandemia e isolamento social, o consumo da erva pela terceira idade segue aumentando.

Ao New York Times, o epidemiologista da Universidade de Massachusetts explicou: “É mais fácil de conseguir e também está menos estigmatizado. As pessoas que usaram na juventude e se afastaram, podem ter voltado a usar agora.”

Questões comuns na terceira idade

Ou seja, essa tendência entre senhores e senhoras que curtem a planta é impulsionada por vários fatores além da legalização, como a redução do estigma e a publicação de inúmeros artigos e pesquisas sobre potenciais benefícios da cannabis para condições comuns entre idosos, como: Dores crônicas, processos inflamatórios, estresse, ansiedade, depressão, insônia, dores de cabeça e efeitos adversos da quimioterapia. 

Obviamente essas questões não são exclusivamente associadas ao envelhecimento, mas a idade é fator de risco para o seu desenvolvimento. Também é fato que a produção de endocanabinóides e receptores endocanabinóides no nosso organismo diminui à medida que envelhecemos. 

E o que isso quer dizer? Que os níveis de endocanabinóides mais baixos tornam os idosos mais suscetíveis a várias doenças. Falamos mais sobre o Sistema Endocanabinóide aqui. 

Resumidamente, ele é o responsável por manter o equilíbrio das funções básicas do nosso organismo, como sono, apetite e humor. Ele também é a chave para entender o efeito dos canabinóides nas nossas células.

Hipertensão 

Em janeiro deste ano, um estudo da Universidade Ben-Gurion de Negev e do Centro Médico de Soroka, em Israel, teve resultados que indicam que a maconha pode ser benéfica para pessoas acima de 60 anos com hipertensão. 

26 pacientes foram acompanhados três meses antes e três meses depois de iniciarem o uso medicinal da cannabis por várias formas de ingestão. E a conclusão foi que a planta reduziu as pressões sistólicas e diastólicas dos idosos participantes.

Alzheimer e Parkinson 

Alzheimer e Parkinson são doenças neurodegenerativas associadas ao estresse oxidativo, que induz a neuroinflamação e a morte de neurônios específicos. 

O Alzheimer afeta principalmente pessoas acima de 65 anos e as medicações convencionais não são eficientes em retardar a doença. O VivaBem acompanhou quatro pacientes que têm Alzheimer e começaram a tratar a condição com cannabis. 

Os relatos dos parentes são valiosos e positivos: “Quando descobrimos o canabidiol, fomos atrás e hoje ele está bem melhor. Ele Toma duas cápsulas gelatinosas por dia e o comportamento melhorou e muito. Ele começou a interagir mais, reconhecer os bisnetos, montar frases conexas. Nunca deixamos de dar o remédio da doença. O canabidiol serve de complemento e o resultado é satisfatório” (Walter Selani Junior, filho de Walter à reportagem. Apesar disso, o tema ainda é considerado tabu pela maioria da comunidade médica.

A doença de Parkinson envolve a degeneração de células cerebrais, que causa impacto nos movimentos e induz tremores, desequilíbrio, lentidão de movimentos, rigidez muscular e alterações na fala e na escrita. Um estudo realizado em Israel teve conclusões bem otimistas quanto à melhora dos pacientes.

Riscos e efeitos indesejados

Ao falar do uso de qualquer psicoativo na terceira idade, é preciso considerar alguns fatores de risco. No caso da maconha, também existem alguns efeitos indesejados no caso de pessoas mais velhas.

A maconha pode causar sonolência, tontura e desorientação, e esses efeitos podem ser perigosos para os mais velhos por aumentar o risco de queda ou acidentes em geral. A larica exagerada também pode ser um ponto de atenção, já que pessoas mais velhas têm mais tendência a desenvolver condições médicas. 

Apesar disso, não dá pra negar que a maconha usada de forma responsável pode trazer benefícios e bem-estar (também) aos idosos. 

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