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Os oito mitos mais comuns sobre a maconha

No Cannabis de A a Z de hoje, trouxemos os oito mitos mais comuns quando o assunto é maconha. O proibicionismo trouxe junto dele um monte de informação falsa, e na contramão disso, tem quem julgue a planta totalmente inofensiva. Bora descomplicar?

by Michelle, Sep 27, 2021
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Não é novidade que a ilegalidade fez com que informações concretas sobre a maconha tivessem pouco espaço para serem esclarecidas. A planta foi muito bem estabelecida como droga perigosa desde sua proibição, e o que não faltam são mitos e mal entendidos sobre ela.

Acontece que, ao mesmo tempo que de fato muitas descobertas positivas tenham sido comprovadas pela ciência, muita gente também subestima a maconha e julga uma erva inofensiva: perfeita, sem defeitos. Também não é o caso.

Se você tá pensando em sair do armário em relação à maconha ou foi arrancado dele e quer abrir um diálogo sincero, esse texto pode te ajudar. A gente sabe que na maioria das vezes o assunto é uma bomba que instala o caos em ambiente familiares. 

Hoje é dia de desvendar esse tanto de mito, e entender as verdades que sabemos até agora. Como sempre, nossa maior arma é a informação. Então, bora?

1. Maconha mata neurônios

Vamos começar pelo mais famoso e repetido aos quatro ventos por aí. Não, maconha não mata neurônios. Esse papo começou há muuuito tempo e de tanto repetirem, virou a maior mentira a ser replicada sobre a planta.

A verdade é que a maconha age no nosso sistema endocanabinóide, que está espalhado por nossas células e é o responsável por manter o equilíbrio das principais funções do nosso corpo, como sono, apetite, fome, dor e humor. 

Os receptores desse sistema também estão no nosso cérebro, e no caso de adolescentes, essas áreas ainda não estão totalmente desenvolvidas. Ou seja, o uso da maconha realmente não é recomendado antes dos 18. Falamos mais sobre aqui

Quando se fala de uso adulto e responsável, a interação do nosso sistema endocanabinóide com os componentes da maconha pode trazer muitos benefícios. Aliás, foi a partir da  descoberta do  sistema endocanabinóide que rolou a virada de chave para a comprovação científica do uso terapêutico da planta.

2. Maconha causa violência

Mito. Proibicionistas fazem malabares para associar maconha com violência. Seja ao dizer que a planta causa violência e criminalidade ou ao cravar que quem usa maconha fica agressivo.

Nada disso é real. No intuito de demonizar a planta e criminalizar quem usa, criou-se o boato de que a maconha anda lado a lado com a violência. Mas, como contamos aqui, a Guerra às Drogas é resultado do proibicionismo. Não a maconha.

Aqui no Brasil, até hoje não temos leis com critérios objetivos para diferenciar tráfico e uso. É a justificativa perfeita para reforçar a violência em abordagens policiais, que sempre foram racistas e desproporcionais. 

Quanto à agressividade: quem diz isso está sendo desonesto pra caramba. Como já explicamos aqui, pessoas com histórico familiar de transtornos psicóticos devem evitar o uso. Fora a exceção, o efeito mais comum da maconha é a larica, relaxamento e euforia.

3. Maconha é a porta de entrada para outras drogas 

Parece repetitivo, mas esse mito também é fruto do proibicionismo. E é tão mentira que a maconha já tem estudos científicos demonstrando o contrário: é possível tratar dependência química de outras drogas, como cocaína e crack, com componentes da planta.

Sobre o mito, a real é que muita gente esquece que, apesar de legalizadas, álcool e nicotina, do cigarro, também são drogas. E são normalmente a verdadeira ‘porta de entrada’. Se é que existe uma, né. Porque isso é muito subjetivo. 

4. Maconha é coisa de vagabundo 

Se tem algo que a gente prova que é mentira aqui na Nowdays é isso. No Nowdays People, você pode conhecer um monte de gente super talentosa que usa a planta com responsabilidade.

Porque isso definiria alguém? Já passou da hora desse estigma em torno de quem usa maconha existir. Advogado, médico, cantor, artistas, empresários. Pessoas de todos os tipos usam a planta e não é isso que define quem elas são.

A diferença é que por não termos leis específicas, esse mito também cai na Guerra às Drogas, que na verdade é uma guerra contra pessoas específicas: pretos e pobres. 

5. Só existe um tipo de maconha

Essa parece pegadinha, né? Ao ler ‘maconha’ provavelmente vem na sua cabeça aquele tijolo que aparece no jornal quando rolam apreensões. Aquela é a planta da Cannabis prensada. A forma mais consumida da planta aqui no Brasil, por ser mais barata e com acesso facilitado.  

Apesar do prensado ter vários problemas que vão além da má qualidade, foi a estratégia encontrada para transportar a maior quantidade no menor volume possível, para driblar autoridades.

Daí, ao falar de propriedades terapêuticas, rola uma confusão. Como a tal maconha, droga pesada, também poderia ser remédio? 

A maconha é uma planta milenar, usada por povos tradicionais para as mais diversas condições. O avanço da ciência foi atrasado por conta do proibicionismo, mas uma coisa é fato. Não existe só um tipo de maconha. 

A Cannabis pode ter uma infinidade de genéticas, que têm composições diferentes de canabinóides e outras substâncias que juntas, promovem uma série de benefícios comprovados pela ciência.

6. Só o CBD é medicinal

Mito! Apesar do CBD, o Canabidiol, ser o único canabinóide fora da lista de substâncias proibidas da ANVISA, ele não é o único que tem efeitos terapêuticos.

O THC, responsável pela brisa e demonizado pela sociedade no geral, também tem propriedades medicinais. A redução de náuseas e aumento do apetite, por exemplo, são de grande ajuda para pacientes em tratamento de câncer.

7. Maconha não vicia 

Aqui é sem caô. Quem usa maconha com frequência pode sim ter uma relação de dependência com a planta. Açúcar vicia, café vicia, coca-cola vicia. Até sexo vicia, rs. 

Além disso, o uso frequente também aumenta a tolerância do nosso corpo em relação ao THC. Mas, felizmente, uma pausa já reverteria a situação. Isso quer dizer que a maconha não vicia como a cocaína, por exemplo, em que ocorre a dependência química da substância.

8. Não existe overdose de maconha 

Esse aqui é mito porque apesar de a dose ‘fatal’ de maconha ser humanamente impossível de atingir, existe sim a possibilidade de exagerar na dose e sentir a famosa bad da maconha. Que inclui sentimentos de ansiedade, paranóia, coração acelerado.

A tal dose fatal? 680 quilos de maconha consumidos em 6 minutos… Acho que não vai rolar, né?

Ó, pra falar a real, o maior perigo em relação à maconha é a falta de informação. Manda esse conteúdo pra aquele parente que vive soltando fake news no almoço de família. 😉 

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