Ebony sobre bem-estar, maconha, música e mais! - Nowdays - Maconha & Wellness

Ebony sobre bem-estar, maconha, música e mais!

Para essa edição especial de Nowdays People, publicada no recheio da Revista Balaclava, convidamos Ebony pra trocar uma ideia com a gente sobre bem-estar, música, maconha e outras brisas.

Para essa edição especial do Nowdays People, convidamos Ebony pra trocar uma ideia com a gente sobre bem-estar, música, sua relação com a maconha e mais. Ela é uma carioca braba e inspiradora, de Queimados, na baixada fluminense. 

Escolhemos a sexta edição da Revista Balaclava, publicação independente sobre música e cultura do selo e produtora Balaclava Records, para publicar o papo em primeira mão. Idealizada pelas maravilhosas Isabela Yu e Heloisa Cleaver, a revista já conta com seis edições impressas! Sigam elas para garantir a sua, assinar e acompanhar. @revistabalaclava <3 

mesa com revista aberta, vela, taça, e bandeija
Foto: por João Gorri

 

Como você já sabe, nós acreditamos que o caminho para finalmente desmistificar o uso da planta por aqui seja levar informação de forma descomplicada, acessível e realista. 

Pra Ebony, bem-estar é:

Geralmente o momento do meu dia que é muito meu é quando tô sozinha, arrumo a casa inteira, tomo um banho, sento no sofá, boto uma série e acendo um. Cabô aqui! Agora incrementei o ritual, comprei um kit de skin care babado. Nunca tinha feito esses negócios. Então agora arrumo a casa, tomo banho, faço skin care e fumo. Então assim, evoluções!

Tempos de pandemia

“Nos primeiros momentos, que só me falaram assim: ‘talvez você tenha que dar uma segurada nos shows e na sua carreira’, honestamente, eu fui um pouco grata. Porque eu pude respirar. O que tava acontecendo era uma mudança muito brusca na minha vida. Pude ficar em casa e só pensar. Então tirando a parte da tragédia, o que sobrou pra mim foi um momento de muita reflexão. Eu não tava tendo isso, tava dormindo 3 horas por dia e era muita benção pra mim, mas sobrecarrega. Até eu entender a responsabilidade de ser um ícone de representatividade para garotas iguais a mim, eu vivi assim: ‘Faço música, sou jovem e faço merda também.’

Segura a responsa

 

ebony, cantora brasileira, mulher negra de capelo raspado, sentada em cima de uma mesa com as pernas abertas e cotovelo apoiado na coxa. vestida com macacão branco e verde
Foto: por Stephanie Rodrigues

“Me falaram: “Olha só, você vai ter que parar de usar droga, maconha, álcool, fazer academia, comer salada e fazer dieta. E eu tava: ‘Ah, não vou não, me obriga aí!’

Acho hoje que me definiria como alguém mais livre do que eu era antes e mais responsável também. E digo isso como a pessoa que eu busco ser todos os dias e não já como a senhora responsabilidade!

Me defino também como artista, o que foi difícil pra mim durante um tempo porque eu não entendia exatamente o que eu fazia.

É muita responsabilidade, mas é foda! Recebo mensagens de garotas muito tocadas com a minha mensagem, tá ligado? Com o que eu tento passar pro mundo. E quando vi isso acontecendo, pessoas falando que eu salvei a vida delas, abracei essa responsabilidade como minha, de ser a melhor de mim. Se as pessoas querem ser iguais a mim, que eu seja uma pessoa boa.”

“E aí tive um avanço pra essa fase, que agora sou uma mulher que paga aluguel da minha própria casa, faço minhas coisas. E ainda assim, a maconha não me abandonou, só foi melhorando de qualidade.”

Fumaça para o alto – Sua relação com a maconha

Comecei a fumar maconha bem cedo. Lembro que achava a pior coisa do mundo. E aí comecei a fumar cigarro porque achava maneiro. Na época todo mundo fazia, e eu acompanhava. Criei esse vício de cigarro muito cedo. Cheguei a experimentar outras drogas bem jovem e fiquei muito mais viciada nessas outras do que no beck. Então quando me vi na situação de ‘preciso parar com essas porras’, foi que a maconha entrou na minha vida. Ela foi minha substituta de vícios e ficou presente na minha vida como um remédio real.

Eu era uma pessoa com visões políticas muito conturbadas. Não buscava pesquisar. Era uma jovem com vontade de dar opiniões sem conhecimento para dá-las, assim como todo jovem! Aí conforme fui estudando cada vez mais, entendendo a história da maconha no Brasil, como ela chega aqui, quais são as pessoas que querem sua proibição e porque querem. Aí me deparei com o cenário atual: cárcere de pessoas que tavam fumando um baseado e que são pretas. Então comecei a ver dessa forma, mas também nunca achei que a maconha fosse essa planta mágica que vai salvar todo mundo. Mas definitivamente, queria que o preconceito e o estigma social de ‘Você fuma maconha você é um merda’, acabasse.

Presença nas redes

Foto: por Sthefanie Rodrigues

 

No início eu não tava nem aí. Postava fotos fumando maconha sem entender que isso poderia me prejudicar em questão comercial. Tava descobrindo tudo. Então depois que o instagram passou a ser parte do meu trabalho, mudou completamente o que posto.

Quando vi os ataques, o linchamento virtual que tavam rolando com a questão do meu relacionamento, falei: Cara, sou uma pessoa publica. Então a partir do momento que to ganhando dinheiro disso, é meu trabalho botar minha cara a tapa.

Não acho que seja o mundo perfeito, não queria que fosse assim. Mas é. Posso ficar triste ou posso lidar bem com isso. Querendo ou não, independente da cor das pessoas que me relaciono, ou da cor das pessoas que me criaram, eu continuo sendo uma mulher preta que experienciou o mundo nessa minha pele. Então entendo a importância do debate e não acho que seja um problema conversar sobre ele. Posso não concordar com a forma de algumas pessoas se expressarem mas não vou ser a pessoa que vai virar pra uma pessoa preta que vê problematização num relacionamento interracial e dizer que ela tá errada.

Famosa e rica fazendo música no Brasil?

Eu sou de Queimados, um lugar muito pobre no Rio. Não tem asfalto, não tinha internet, é longe à beça das coisas. Mas eu sempre brincava com a minha mãe que eu ia ficar famosa e rica.

A música sempre foi um refúgio pra mim, pra sentir outras coisas, pra ouvir, entender e me conectar. Então quis começar a fazer música, mas era uma brincadeira, uma coisa que eu mostrava pro meu amigo.

Não gosto que pessoas assumam que eu vá fazer algo de acordo com o conceito que elas já têm pré estabelecido sobre mim. Não gosto que as pessoas esperem que eu vá fazer trap. Obviamente você pode esperar música de mim, que é o que eu tenho pra oferecer, mas não um estilo só ou algo que vá me limitar musicalmente.

Agora tô trabalhando no meu álbum, que sai esse ano! Pra mim, óbvio que tô em constante evolução e transformação. Mas pras pessoas que viram minha última música 9 meses atrás, acho que vai ser um puta choque. Podem esperar algo novo.

Aqui no Nowdays People você pode sacar mais conversas como essa com a Ebony. Em Basics cê vai encontrar conteúdos sobre métodos alternativos de Wellness, uma verdadeira enciclopédia sobre nossa amada planta no Cannabis de A a Z.  no Reality Check, tem também novidades e questões legislativas. Se tiver brisando aí, dá uma passeada pela plataforma, fica à vontade. Ah, se ainda não assinou nossa newsletter, a hora é agora