Livinha: “Sou o pacote completo do fim do mundo” - Nowdays

Livinha: “Sou o pacote completo do fim do mundo”

No People de hoje, um papo sincero e divertido com Livinha, a lutadora de MMA, destaque no UFC, primeira atleta patrocinada por marca de CBD, gamer, streamer, maconheira e lésbica assumida. QUE MULHER, namoral! Vem que tá imperdível.

A gente fala sério sobre quebrar estereótipos. Se você chegou agora, o People é um espaço dedicado a contar histórias de pessoas inspiradoras da nossa geração. Lívia Renata Souza, conhecida como Livinha, tem 30 anos e participa de competições desde os 7. Batemos um papo com ela, que atualmente é destaque da sua categoria no UFC e deixa claro que sua vida é muito mais do que ‘só’ ser atleta.

O papo rolou a partir do nosso conteúdo sobre a permissão do canabidiol nas olimpíadas, em que citamos Livinha. Ela é a primeira atleta brasileira a ser patrocinada por uma marca canábica. Como não falar dela?

A lutadora deixou um comentário maravilhoso no nosso post e a partir daí a conexão fluiu. Falamos da sua trajetória, seus hábitos e a relação não só com o cbd, mas com a planta na sua totalidade.

Comecei perguntando como equilibrar a vida sendo atleta de alto rendimento. Dá pra se divertir?

“Bom, ser atleta é uma coisa bem constante, né? Não é um emprego que eu tiro a roupa seis horas da tarde e posso ir pra casa, sentar numa mesa de bar e comer qualquer refeição. Tenho que ter uma uma regra bem rígida. Mas quando a gente não tá em camp [período pré luta] a gente até abre mão um pouco.

Eu consigo, com certeza, ter uma convivência sadia com meus amigos, jogo online, uso os medicamentos de CBD, uso o THC também, fumo meu baseado pra dormir, faço minha terapia e vou levando sempre muito bem equilibrada e saudável. Um pouco de droga, um pouco de saúde!”

E como é seu dia-a-dia? O que você curte fazer?

“Eu treino sempre sagradamente duas vezes por dia e seis dias por semana. Eu montei uma rotina assim, e eu sempre procuro acordar entre oito no máximo oito e meia.
Tem as preparações físicas, jogo bastante online no game, gosto bastante de ir pra lugares com natureza, fumar uma bomba e xingar mentalmente o Bolsonaro, essas coisas. Minha vida não tem muito a ver com esporte, só durante a semana mesmo.”

Os jogos online são um refúgio? Como é a experiência de fazer lives?

“Acho muito legal, fico muito feliz e a gente consegue acolher bastante gente, tenho muitos amigos de vários lugares e às vezes as pessoas precisam só de uma palavra amiga, de um bom dia legal, de perguntar como você tá, de dar uma brincadinha pra ganhar o dia.

Em épocas em que a gente tá tão recluso principalmente, né? Essa temática do tratamento psicológico está sempre sendo falada pelos streamers. Estar junto de uma pessoa que faz um stream de algo que te interessa, de um jogo. Ou que conversa, que você acha graça e curte ver os jogos, eu acho isso fundamental.

E eu sempre tive um espelho, né? Que é o Gaulês, o Alexandre. Eu nunca vou ser 1%  do que ele é, nem tenho essa ambição. Só de estar no meio desse pessoal e também estar tirando uma onda de streamer, passando uma mensagem legal pra galera… Jogando, divertindo e entretendo, pra mim já tá válido!”

Como você vê a questão do THC ainda ser proibido nas olimpíadas, enquanto o CBD foi permitido?

“Eu acho que é profundamente válido. Tem embasamento científico, tem área recreacional. É só as pessoas entenderem o uso conforme for sua necessidade. Ou também não fazer o uso se não se sentir beneficiado pelas propriedades da planta. É uma escolha pessoal e a gente deve respeitar, né?

Mas, com o avanço da ciência, testes mostrando as melhoras e os benefícios, acho que as pessoas podiam dar um uma chance pra maconha assim como deram pro álcool e pro tabaco, que não foram bem sucedidos.’’

No UFC a regra é diferente e não existe punição pra lutadores que testam positivo para THC. O pessoal do MMA é mais cabeça aberta?

Livinha ufc“Olha pra falar a verdade, a real: Não me embaso pelos outros atletas. Tenho a minha caminhada, meu jeito de ser, de agir, de levar vida independente de todo mundo. Eu sou eu, do meu jeito, sempre fui favela, vida louca. Sempre correndo pelo meu sonho da melhor forma possível. Ajudei muita gente também. Isso vai de pessoa pra pessoa, cada um é cada um e pronto acabou. Se eu gosto, eu digo que gosto e uso. Sou a favor da legalização, mas não faço apologia, não recomendo que ninguém use. É bom pra mim e é apenas uma particularidade da minha pessoa.”

E quais benefícios você sente com os produtos canábicos? O que você usa?

“Me sinto bem melhor em todas as lesões e os impactos de vários anos competindo, né? Comecei a competir com sete, hoje eu já tenho trinta, então são vinte e três anos de competição. Com a ajuda da USA Hemp agora eu tô conseguindo retomar meus melhores treinos, meus melhores dias.

Tomo alguns facilitadores de sono, tomo o óleo de seis mil miligramas que são os mais concentrados da Usa Hemp. As gominhas de CBD, que são pra antes de dormir. O creme tópico que é putz, maravilhoso. Uso até sal de banho que ajuda a relaxar.”

E pra fechar. Você quebra um monte de estereótipos de uma vez só: Mulher, lutadora, maconheira, gamer…

“E sapatona, também! Sou o pacote completo do fim do mundo! Mas, a partir do momento que a gente pega uma experiência de vida, a gente sabe que a gente tem que viver do nosso jeito, lutando pelo que a gente acredita. É melhor morrer por um sonho do que viver por nada, né? Então a gente defende um país livre, com educação, com cultura, um país que dê chance aos jovens de terem uma vida boa, uma vida digna, terem moradia, ter educação, conseguindo estudar, conhecer a nossa cultura maravilhosa, saber o que realmente acontece dentro do nosso país.

Hoje em dia a gente precisa de muito diálogo, o mundo tem muitos contrapontos, muitas contraculturas e acho bastante importante a gente abrir esse diálogo a nível global pra todo mundo conseguir se entender e pelo menos se respeitar né? Que é o princípio básico da dignidade humana.”