Outubro rosa: Nossa diretora de conteúdo tem uma história pra contar

Outubro rosa: Nossa diretora de conteúdo tem uma história pra contar

Cinco anos atrás, aos 22, tive um câncer de mama e a maconha me ajudou demais com os enjôos da quimioterapia e a segurar a barra do momento. Hoje, trampo na Nowdays como diretora de conteúdo e esse People é um mix de relato pessoal com bate papo entre equipe, especial de Outubro Rosa. Prazer, sou a Michelle. :)

Semana passada vocês conheceram nossa social media, Brvnks, que canta muito e é sensação na cena Indie. O People de hoje também tá em casa e é sobre uma parte da minha história! Sou a Michelle, diretora de conteúdo aqui na Nowdays, prazer 🙂 

maconha quimioterapiaComo quem faz as entrevistas pro People sou euzinha, dessa vez invertemos o jogo e respondi algumas perguntas do nosso time sobre essa experiência de ter tido um câncer de mama aos 22 anos e usado maconha para ajudar com os sintomas do tratamento.

Pra contextualizar, hoje tenho 27. Fui diagnosticada aos 22, poucos meses depois de me formar jornalista. É muito doido pensar que ter dado a cara a tapa e contar sobre o uso da maconha durante o tratamento foi o que me levou a falar com ainda mais interesse sobre o assunto. Não só profissionalmente, mas na vida pessoal, também. 

Como foi pra sua família aceitar que você estava usando maconha durante seu tratamento?

Olha, foi engraçado até. Antes da liberação da minha médica, meus pais ficaram bem desconfiados, falaram que eu tava ‘inventando moda’, ‘arranjando desculpa’ pra continuar com o meu uso da planta. Que eles já sabiam que eu fumava, né? E pegavam muito no meu pé. Quando rodei a primeira vez, anos antes, meu pai chegou a falar que queria me internar. Enfim, com o tempo, fui provando que nunca deixei minhas responsas de lado, trampava, tava me formando. Mas, mesmo evoluindo e dialogando, a virada da visão deles em relação a maconha com certeza foi durante meu tratamento. Eles simplesmente viram com os próprios olhos que, chapada, eu conseguia me alimentar e controlar a ânsia de vômito. Chegou num ponto da minha mãe me avisar que o almoço tava quase pronto, pra eu ir fumando… juro! Hoje em dia, além deles verem meu trabalho na Nowdays, são super ligados no assunto, meu pai direto me manda notícia sobre algum tratamento que ele viu com a planta. 

Qual foi a reação da sua médica quanto seu uso? 

Então, logo que soube que teria que fazer a quimio, lancei o assunto durante a consulta com minha oncologista. Eu já era muito interessada em tudo que envolvia a maconha e sabia que seu uso pra ajudar com os sintomas da quimioterapia já tinha eficácia comprovada nos Estados Unidos e Canadá. De cara ela liberou, falou que poderia ajudar sim, mas deixou claro que eu tinha que tentar os remédios ‘tradicionais’ também, e entender como iria rolando. Vale ressaltar que tive acesso a uma médica excepcional por ser privilegiada e ter condição de ter um plano de saúde. Outro fato importante é que, apesar de ter sido bem difícil ter passado pela quimio e rádio, todo o processo foi ‘o menos pior possível’ já que descobri bem cedo, com exames de rotina. 

No que a maconha te ajudou nesse processo?

O principal, com certeza foi o descanso que a maconha me trazia do enjôo constante que a quimio tem como efeito mais persistente. Apesar de existirem vários remédios pra enjôo, nenhum tirava completamente a sensação de ânsia. Ou amenizava, ou eu capotava e perdia o dia dormindo. Enfim, a maconha ajudou muito mesmo com os enjôos e foi o que me permitiu comer direito durante o tratamento. Fumava um fininho e mandava um prato de arroz e feijão, tomava suco, enfim, conseguia de fato me alimentar. Tive que ficar uma semana internada porque minha imunidade baixou demais. Nesse tempo, simplesmente tinha ânsia toda vez que a enfermeira entrava no quarto com a comida, mesmo sem nada no estômago. Foram dias muito, muito difíceis, e um ‘gostinho’ de como seria a quimio sem a ajuda da maconha. Daí, à noite, o beck também me ajudava a dormir em meio ao turbilhão que era minha mente naquela época. Não dá pra negar que a maconha também me ajudou em relação ao meu bem-estar, mesmo, durante o tratamento. Consigo ver isso com clareza hoje.

Você usava flor ou óleo? 

Eu usava flor. Na verdade, por boa parte do tratamento usei Colombia, mas na época era flor hahahaha. Mas, sério, tava vendo as fotos e realmente não era como é hoje… Enfim, um amigo me emprestou um vaporizador daqueles volcano, também. Já falamos dele no blog! haha Foi interessante, era diferente, mas funcionava igual e não envolvia a combustão, né? Que não é legal, principalmente durante um tratamento que meio que destrói você por dentro. Mas, enquanto não tinha o vaporizador, fumava um fino por dia, mais ou menos. Com uns 2, 3 tragos antes de cada refeição já tava medicada. 

Você acha que foi mais fácil as pessoas entenderem seu consumo de maconha pela circunstância do câncer?

Ah, acho que sim! As pessoas ao meu redor, tipo pais de amigos, também mudaram a percepção deles quanto à maconha por causa do contexto do câncer. Meio que, se é medicinal, tudo bem, se tá ajudando ela, tudo bem. Sabe assim? 

Qual você acha que foi a diferença que mais compensou pra você em usar a maconha durante o tratamento?

A Larica era o mais bizarro. Eu simplesmente não conseguia sentir o cheiro de comida sem estar sob efeito do THC. Que hoje em dia eu sei que é o THC, mas na época eu não tinha tanto conhecimento assim, eu acho. Mas, a Larica foi o que mais me impressionou, sabe? De como ajuda no momento da quimio e como eu teria muita dificuldade pra comer se não fosse ela, sabe? Se não fosse a planta. 

Outra parada é que muitas vezes pensei em quem não tinha essa ajuda durante o tratamento. Porque nossa, é muito enjôo. Não to exagerando! E a quimio leva a imunidade no pé, se alimentar é muito importante. É um tratamento bizarramente agressivo e tenho pra mim que todo paciente de câncer tinha que ter acesso à planta. Mas, né? Bora lutar.

Confesso que tô emocionada com o resultado desse mix de relato e bate papo entre essa equipe perfeita. <3  E, pela amor, autocuidado também é fazer exames de rotina!!! É chato, mas necessário. Se caiu aqui e não viu ainda as outras entrevistas que já rolaram aqui no People, dá uma checada que muita gente massa já passou aqui!