Pamela Ribeiro sobre ciclos, processos e equilíbrio - Nowdays

Pamela Ribeiro sobre ciclos, processos e equilíbrio

Bem vinde ao Nowdays People! Convidamos pessoas que nos inspiram para contar pra gente o que fazem para viver o bem-estar. Quais são as atividades, rituais, hábitos ou manias que traduzem o que é wellness pra cada um desses indivíduos? E pra você?

Nas redes ela é @abruxapreta, dona de um dos carões mais baphos do feed do insta, e falou com a gente sobre misticismo, espiritualidade, tarot, equilíbrio e autocuidado

Neta das bruxas que não conseguiram queimar! Pera, é meme ou real? Quem acredita em bruxaria e consome conteúdo relacionado muito provavelmente já esbarrou no perfil da Pam. Ela bateu um papo com a gente e entre outras coisas, nos ensinou que nossa melhor versão pode ser também a pior e tá tudo bem. Sério, tá tudo bem. (Não é meme!!!!)

 

Nossa conversa com a Pam foi assim como a maré, com ondulações quando tem que ter. Mulher inspiradora pra caramba, falou sobre desenvolvimento pessoal, religião, espiritualidade, misticismo e wellness. Chega maix!

“A Pam é cíclica, ela é várias”

A Pam é uma mulher periférica, preta que tá aí nesse processo muito louco de desenvolvimento pessoal, mental e que entendeu que a vida é cheia de processos e oscila.

Entendi que existem essas oscilações comigo, com quem eu sou. Então, diria que sou essa pessoa cíclica, a Pam é cíclica, ela é várias.

Eu sou bruxinha nas redes sociais, mas também filha, irmã mais velha. Me vejo muito como alguém que aceita a realidade, mas questiono e reflito muito sobre ela.

Aquariana com a ascendente em libra, tem muito ar nesse mapa para as místicas aí. Tô sempre no mundo mental, tentando descer um pouquinho pra matéria e viver dentro disso, dentro do que a vida me propõe. Por que eu não tô mais em posição de controle de nada. Acredito que essa sou eu.

“O desequilíbrio em determinados momentos também é necessário”

Eu aceitei o desequilíbrio na minha vida. Sempre entendi o equilíbrio como sendo uma coisa ou outra. Quando a gente começa a desenvolver a nossa espiritualidade, vamos entendendo que as coisas não são tão simples. Existe toda uma complexidade aí.

O desequilíbrio em determinados momentos também é necessário para eu impor e erguer a minha voz, escrever os textos que coloco aí nas redes sociais.

“Como ondulações e oscilações da água, que também são muito turbulentas e ferem se for preciso”

Tem também uma imposição da sociedade do que se espera de uma mulher, do que se espera de uma mulher preta: Não falar, não dizer o que pensa, ainda mais nas redes sociais, que tem muito julgamento, tem a idealização de quem você é. Tem lá a imagem… ‘Ah, ela é isso.”

Existe um estereótipo quanto a como é a mulher preta: Brava, feroz. E sim, eu tenho isso, mas eu demonstro de maneira suave. Porque a compreensão do equilíbrio e da agressividade ou do que é ser fera, nem sempre é assertiva.

A minha maneira de agora é muito fluida. Como ondulações e oscilações da água, que também são muito turbulentas e ferem se for preciso. Sou tranquila quando eu tenho que ser, mas se eu precisar falar eu vou falar o que tem que ser dito.

“Falo verdades e ainda falo suave”

Eu gosto muito da autora Bell Hooks e ela fala dessa questão do amor como cura, como um tratamento. Não idealizando, mas a gente é ensinado o auto ódio. Até no jeito que a gente se comunica com os outros. Acho que é essa surpresa, falo verdades e ainda falo suave.

“Espiritualidade tem grande quê de libertação”

A minha família é católica não praticante. Tem toda uma coisa de um distanciamento da cultura e da religião afro-brasileira. Porque é demonizado, ainda existe a intolerância, o racismo religioso.

Estudei oito anos em colégio católico e tive aquela coisa da rebeldia da adolescência. A vim pra vida adulta me foi trazida a espiritualidade. Que tem relação com a religião se você quiser que tenha. Mas não é a mesma coisa. A espiritualidade tem mais a ver com autonomia e tem um grande quê de libertação. Quando você enxerga a espiritualidade para além da religião, daqueles dogmas de verdade absoluta é libertador.

Fui me conectando com aquela espiritualidade que chegava através da bruxaria. Isso com dezessete, dezoito anos. Comento com os meus amigos que a gente era bruxo de armário. Saiu todo mundo do armário de uns tempos pra cá. E a gente vai praticando e vendo que a natureza, a potência disso é muito maior.

Fui entendendo a minha espiritualidade através da minha perspectiva, que também é periférica. Aqui esse tema não chega fácil, você tem que dar seus pulos, eu dei os meus. Tive acesso ao tarot que também foi a uma das portas de entrada para esse caminho. Quando você entra nessa caverna já era. Só sente, só vai!

Tive vários processos de cura muito intensos. Vivia entre ‘ok to gostando disso’, e ‘vocês estão me mostrando umas verdades que eu não tô afim de encarar.’ E então dou uma paradinha. Tem muita gente que conversa comigo e fala ‘quero desistir’. E acontece mesmo, eu não to aqui para julgar, não. Eu tenho às vezes essa percepção de ‘ai cansei, tá demais a interferência astral aqui’.

“Sente a sua espiritualidade, não se aliena”

Eu sempre fui uma bruxa urbana, moro em São Paulo. E para as pessoas o estereótipo da bruxa é na floresta, girando e cuidando da natureza. Eu amo, mas aqui a minha perspectiva é outra, eu trabalho em uma agência de publicidade. Nunca tive problema em ser essa coisa urbana também, da quebrada, a agente dá um jeito.

Dentro disso eu fui construindo o meu espaço, o que funciona pra mim. Conheci a umbanda, e diria que foi um chamado da ancestralidade. A primeira vez que tive contato com a religião me senti muito abraçada, porque a gente tem a necessidade de pertencimento. Me senti parte de algo muito lindo, muito maior.

E apesar de ter a minha religião, tenho a minha espiritualidade e sei que as duas se abraçam e funcionam ali, mas eu não gosto de colocar a religião como determinante. Sempre falo pra galera ‘sente a sua espiritualidade, não se aliena’.

“Sempre vão aparecer os que falam: ‘Ela só acende velinha na lua cheia e dança’”

Houve momentos em que eu fui questionada sobre o que eu tava buscando como trabalho. Na maneira que eu me posiciono. Pensa, toda uma vida eu me mostrando estudante do colégio catolico. Então de repente eu rompo com isso, as pessoas começam a falar.

Nas redes sociais esse desafio vem de duas maneiras: Tanto das pessoas que se identificam e falam: ‘Caramba, até que enfim alguém que realmente tá falando o que eu queria dizer.’ Quanto das pessoas que falam “Ó lá, ela só acende velinha na lua cheia e dança.”

Mas eu tenho notado que a movimentação tem sido mais suave. A coisa tem rolado e fluido melhor. Sempre vão aparecer os haters, as pessoas para falarem ‘bruxa de internet”. Não me incomodo mais com esses questionamentos não.

“Pra 2020 a palavra é desafio, um processo dolorido”

É muito louco porque quando começou a pandemia eu já entrei em um conflito de que agora ninguém mais vai querer fazer leituras ou trabalhar esse lado do autoconhecimento.

Fui surpreendida com a quantidade de gente que veio perguntando, querendo acessar esse universo. Se conhecer e entender o que tava rolando, já que agora tava passando mais tempo consigo.

A pandemia trouxe esse momento de putz, ‘agora eu tô lidando comigo, tô tendo que enxergar coisas que eu não sabia e não gosto tanto’. Foi chegando muita gente, Vejo pelas meninas que acompanho da área e elas falam dessa movimentação que de fato rolou.

Acredito que pra 2020 a palavra é desafio, um processo dolorido. Foda, mas eu sou otimista, encarando realidades. A partir do momento que a gente se olha, a gente consegue se movimentar melhor.

Tem um aprendizado que chegou pra mim: “é hora de amadurecer e entender melhor as estruturas que cerceiam a sua vida’. Seja governamental, seja a sua, na sua casa, a sua relação com os seus amigos. Amadurece isso. Cresce!’ Fui obrigada a crescer e agradeço por ter sido, se não eu viveria numa posição de alice nos países da maravilha.

“Às vezes um gesto pequeno move uma estrutura enorme e a gente nem sabe”

Espero mais desilusões, no sentido de que a gente cresça e que faça a gente amadurecer. Também espero que a gente consiga se libertar de tudo que nos foi condicionado. Todas as crenças limitantes e patriarcais.

Que a gente não precisa esperar o outro pra fazer, às vezes um gesto pequeno move uma estrutura enorme e a gente nem sabe. E para Pamela eu espero que ela continue nesse trabalho de autoconhecimento com muitas terapias, todas elas, tanto com a minha psicóloga quanto com os meus amigos holísticos. Que a gente consiga falar mais, erguer as nossas vozes, porque precisa ser escutado em um momento como esse a gente precisa se libertar.

“Meu autocuidado é me acolher”

Para mim não existe autocuidado sem olhar para a minha saúde mental. Sou uma pessoa que tem a pele acneica, então tem o autocuidado com esse aspecto, mas isso também fala do meu interno. Não adianta eu cuidar da minha pele, passar todo tipo de creme e não cuidar da minha saúde mental, a coisa ainda vai continuar ali.

Eu não consigo fazer um trabalho de autocuidado quando não estou me sentindo bem comigo mesma. Meu ritual é dormir bem, pra mim isso é muito importante. O meu autocuidado maior de todos é a hora do banho, esse é assim, essencial. É quando eu aproveito para fazer meditações, orações, imaginar toda água ali purificando.

Deito na minha cama, passo meu creme hidratante e me permito descansar, assistir minha série bobinha. Gosto dessa sensação de acolhimento, para mim meu autocuidado é me acolher.

Até no meu trabalho dou um jeito de colocar alguma música que me acolha, que a minha mente consiga fluir por que eu tenho uma mente muito agitada.

A Pam é tudo, né? Aqui no Nowdays People você pode sacar mais conversas como essa. No Basics cê vai encontrar conteúdos sobre métodos alternativos de wellness, uma verdadeira enciclopédia sobre nossa amada planta no Cannabis de A a Z. E também novidades e questões legislativas no Reality Check. Se tiver brisando aí, dá uma passeada pela plataforma, fica à vontade. E, se quiser, conta pra gente o que achou por meio das nossas redes @nnowdays.