Bivolt: “É conveniente pro Estado que a maconha seja ilegal” - Nowdays - Maconha & Wellness

Bivolt: “É conveniente pro Estado que a maconha seja ilegal”

Tivemos a honra de bater um papo com a Bivolt e foi daora demais! Ela lançou seu primeiro álbum no ano passado e já logo foi indicada ao Grammy Latino. E adivinha? Maconheira assumida, sim. Com responsabilidade e informação, sempre! Chega mais para conferir o People de hoje.

Comunidade Nowdays, atenção! O People de hoje tá foda demais. Se você ainda não conhece a Bivolt, já coloca o álbum dela aí pra tocar enquanto você lê nosso papo na íntegra!

Presente nas batalhas de rap desde os 15, é desse rolê que vem o vulgo Bivolt, que traduz a Bárbara em seus vários momentos: Como rapper, cantora, mulher foda e independente. 

Bivolt lançou seu álbum de estreia em março de 2020, logo que o furacão pandemia começou. E apesar da gente ainda não ter tido o privilégio de ir num show ouvir os sons novos, o clipe de Cubana foi indicado ao Grammy Latino. 

Num papo delícia, conversamos com ela sobre a importância de nos conhecermos e nos permitirmos novos olhares sobre nós mesmos. Falamos também sobre a relação dela com a maconha e a situação atual do Brasil em relação à planta. Bora?

Como a Bivolt se vê hoje?

“Acho que tô no caminho certo de alcançar meus objetivos. Muito focada, interessada. Vivo um momento de querer aprender o máximo de coisas que eu puder pra usar na minha vida. Sou uma Bivolt que tenho orgulho de ter alcançado. Porque sei separar bem a vida pessoal da vida do trabalho. Sei desenvolver o que me pedem com maestria. Tenho orgulho de mim, pra caralho. Dessa fase principalmente, por ter conseguido tirar leite de pedra num momento tão difícil assim. De ter me reinventado. Tô gostando dessa versão da bivolt.”

O povo fala que a gente tá se achando quando reconhecemos nossas qualidades. A gente tá sempre sendo educado pra falar das qualidades dos próximos e não reconhecer as nossas também. A gente tá em evolução constante, né? Tem dias que nada faz sentido, tem dias que tudo faz sentido. Mas acho que o principal é se permitir. Acho que eu me permiti ter novos olhares sobre mim.”

Você foi indicada ao Grammy Latino já com um clipe do seu álbum de estreia! Como foi isso?

bivolt rapper Grammy Latino

 

“Foi a realização de um sonho. Ter uma indicação no prêmio mais importante, com reconhecimento internacional, sabendo que para as mulheres do meu segmento ainda é um pouco mais difícil… Estupendo! Foi incrível demais. É uma doideira, né? Acho que foi um gás. Porque no meio de tanta notícia ruim da pandemia, veio uma maravilhosa! 

Fui indicada ao lado de pessoas UAU. Foi ‘UAU’ mesmo minha sensação. Tipo ‘Caramba, sério que isso tá acontecendo?’ E aconteceu. O Brasil é incrível. Nossos artistas são incríveis e a gente tá mostrando pro mundo o que a gente sabe fazer!” 

Tudo isso no furacão da pandemia! 

“Lancei o álbum dia 6 de março de 20. E foi até importante, sabe? É legal quando as coisas não saem como a gente pensa. A vida é humana. Não tem como ser planejado e executado do jeito que a gente imagina. A gente pode contar que vão acontecer muitas coisas. Mas quem contava com uma pandemia, sabe? Foi aprendizado. Não pude realizar turnês,  que ia ampliar o alcance, mostrar meu trabalho para mais pessoas. Mas, só de estar viva e ter passado por isso já é uma vitória.

Tô muito feliz no geral com o resultado. Onde ele chegou, foi super bem aceito. Alcancei lugares novos. Foi um trabalho que me tirou um pouco da bolha que eu existia. A bolha de tribo, gênero musical mesmo. Para um primeiro álbum, acho que a gente conseguiu uma missão cumprida com excelência. Tento sempre ver o lado positivo das coisas. Como falei, estar saindo disso já é uma vitória. Só tenho realmente a agradecer. Até hoje tem gente que tá descobrindo a experiência interativa. É um trabalho atemporal, né? Mesmo depois de um ano, as pessoas que estão descobrindo se identificam e acham o máximo. Impressiona todos que veem. “

Aliás, a experiência interativa é muito foda! Conta pra quem não tá ligado?

“A experiência interativa veio da ideia de representar o que é a ‘bivolt arte’. Que faz um flow mais cantado, outro mais rimado. Me dividi em dois feelings, o 110 e o 220. O álbum todo é dividido nesses dois moods. Daí faltava explicar a bivolt. A minha ideia nunca foi separar. Eu sou uma coisa só. Então queria traduzir isso de algum jeito. Que tal duas músicas que tocadas ao mesmo tempo viram a faixa bônus, que é a música que dá nome pro álbum? Acho que traduziu bem o que eu sou.”

No álbum você fala super abertamente sobre tudo, inclusive maconha. 

“Tô fumando um nesse momento falando com você! Não trago isso de nenhuma forma nas redes sociais. Não apareço fumando porque entendo a responsabilidade que eu tenho com o público. É uma coisa que ainda é ilícita no país em que a gente mora. Mas, eu cultivo minhas plantas, sou uma pessoa que super descriminalizo o uso recreativo da maconha e acredito na sua função tecnológica também. A cannabis é tecnologia. A gente precisa falar mais sobre isso, os benefícios que essa planta tão versátil tem. Não só para uso recreativo, medicinal, confecção de objetos, roupas, tecido, papel. São tantas coisas que vêm dessa planta magnífica. É muito complicado a gente ter leis que são de um tempo onde se criava leis para criminalizar pessoas. Para criar situações políticas.

A hipocrisia rola solta…

Porque é tudo um jogo político. Olha quantas pessoas a gente tem no sistema carcerário por causa de maconha. Vamos falar de algo que o estado tem conhecimento público? A gente sabe que tem cocaína sendo transportada em aviões da força aérea brasileira, então assim… É uma hipocrisia muito grande. É tudo um jogo político. E é conveniente pro estado que a maconha seja ilegal.

Sou a favor da legalização sem dúvidas. Não me arrependo de falar abertamente sobre as coisas que acontecem na minha vida. Isso é só mais um detalhe. Na minha música falo do cotidiano. Não falo de histórias relacionadas diretamente só com a minha vida. Mas, pontos de vista como espectadora da sociedade. Como cidadã. Assim como falo de política, do que gosto e não gosto, da minha liberdade intelectual, sexual, física. E como uma mulher livre também, falo sobre as coisas que gosto de fazer. Beber um drink, fumar uma ganja. Não uso tabaco, outras drogas sintéticas. Só sou mesmo da cervejinha, e do beck. E sou muito tranquila quanto a isso. Qualquer pessoa que vier conversar sobre isso comigo, tô aberta a esclarecer dúvidas com embasamento científico também.”

bivoltA importância de se conhecer!

“Cada substância tem um efeito numa pessoa, assim como todos os remédios que a gente toma. O que serve pra você não serve pro organismo da sua colega. Por isso é sempre importante se conhecer, procurar saber os efeitos das substâncias que você ingere. Buscar um acompanhamento médico para redução de danos. Qual o jeito mais inteligente de consumir isso que eu gosto? Porque sempre dá pra melhorar. Falando de hábitos, comer também dá pra melhorar. Viver em geral dá pra melhorar. A busca é sempre melhorar. É bonito falando, é difícil na prática, mas a opção que a gente tem é de ser melhor.”

Bivolt ainda chamou atenção pra um ponto importante que sempre destacamos, também:

“Inclusive falando de maconha, acho que é importante conversar com seu psicólogo ou psiquiatra, se é legal ou não usar. Porque se vc é uma pessoa ansiosa e fuma maconha, pode ter um efeito de deixar mais ansioso. Eu vivi isso, tive crise do pânico fumando uma maconha de qualidade ruim. Eu entendi que não era a maconha apropriada pra eu fumar naquele momento. Infelizmente hoje quem tem acesso a maconha boa são os ricos.

Nenhuma substância pode suprir um tratamento médico, acompanhamento psicológico. E o nosso erro é não falar sobre isso também, né? O quanto a saúde mental é importante. Eu não sou a melhor pessoa pra falar, não tenho uma saúde mental maravilhosa. Sou toda doida da cabeça, mas assim como meus hábitos físicos, também tô sempre tentando evoluir nos hábitos mentais e espirituais.”

Fala sério! Que mulher é essa? Se não conhecia, já segue ela que tá vindo bomba por aí: @bivolt! E antes de ir embora, dá uma checada se não perdeu nenhuma outra entrevista lá em People.