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Th4ys sobre bem-estar, empreendedorismo e maconha

Aqui no Nowdays People, convidamos pessoas que nos inspiram para contar pra gente o que fazem para viver melhor. Quais são as atividades, rituais, hábitos ou manias que traduzem o que é wellness pra Th4ys? E pra você? 

Trocamos ideia com a Th4ys, essa deusa, que além de DJ é a criadora da Abebé Skin. Falamos sobre ancestralidade, afro empreendedorismo, presença nas redes, sua relação com a maconha e como ela faz para atingir e entender seu bem-estar. Bora nessa?

Enquanto bolava um em uma de suas piteiras de vidro, ela contou pra gente histórias sobre sua infância com Dona Isa, sua avó, cercada da natureza e do poder das ervas.

Foto: Reprodução Instagram (@th4ys)

“Virginiana filha da puta e muito curiosa”

Tem que botar meu signo primeiro. Sou uma virginiana filha da puta e muito curiosa. Cheguei aqui porque sempre fui uma menina muito proativa, muito atentada. Tive poucas referências na minha vida. Minha mãe sempre foi vendedora, então comecei vendendo miçanga na escola.  Também não sou boba e pensei ‘vou fazer meu dinheiro.’ Sempre fui desse rolê de correr atrás das coisas.

“Grava, porque sempre tem alguém vendo”

Teve uma era que ser blogueirinha era fútil. Já percebeu? Quando você começa a falar nas suas redes, [as pessoas ficam]  ‘Ah blogueirinha…’ Mas eu ganhei dois mil reais para fazer um publi, ganhei seis mil reais. Quando você começa a falar disso no instagram, as pessoas começam a quebrar paradigmas. Eu tenho uns papos que eu falo ‘E aí gata, tá fazendo stories? Comprou um creme da Salon Line? Grava, faz a resenha. Mesmo que só sua mãe dê like. Grava, porque sempre tem alguém vendo.’. Eu tô começando a ter essa narrativa de colocar os sonhos das pessoas pra frente. Por que é isso, se só eu girar e  tudo ficar  parado ao meu redor as coisas não funcionam.

Foto: Reprodução Instagram (@th4ys)

Empreendedorismo

A marca do skincare, a Abebé, só nasceu agora na pandemia. Eu também trabalhava como DJ e cancelei mais de dez datas. Meu dinheiro secou, a água bateu na bunda e pensei: ‘meu deus o que eu vou fazer?’Aí me liguei que eu tenho uma idoneidade sobre ervas, sobre sabonetes. Tenho todo esse conhecimento, sei para que  tudo serve, todas as ervas que usamos dentro de casa.  Por quê não criar um negócio? Eu sou empreendedora e tô precisando de dinheiro. Então foi entender uma necessidade tanto minha, quanto  das pessoas. Eu uni o útil com o agradável, foi muito louco.

“Meu espiritual é a minha maior forma de autocuidado”

Acredito muito que a minha espiritualidade é a minha saúde mental hoje. Posso ta com a pele futricando de espinha, se a minha cabeça está ótima, meu amor! Sei que essa espinha é porque eu tô comendo bem, sabe? Por que eu comi alguma coisa gordurosa, mas não em relação a minha cabeça. O meu espiritual é a minha maior forma de autocuidado. Eu não tô nem aí se sair uma estria no meu seio. Dane- se, eu tô bem! Foca na sua cabeça. Depois você pode ficar bonita por fora.

“A respiração tem sido minha melhor amiga em relação a ansiedade”

O meu macete da ansiedade não é tomar um diazepan, uma fluoxetina como já me indicaram. A gente tem um método de respirar dentro do terreiro que faz com que a gente abra a glândula pineal conforme você faz essa sequência de respirações. Amiga,  eu tô respirando tanto…rs

Eu namoro com uma pessoa mais ansiosa ainda, são duas pessoas ansiosas. E se eu não for equilibrada a minha cabeça vai flopar, meu relacionamento vai flopar e consequentemente minha carreira vai flopar. E a gente respira errado, já percebeu? A gente respira com o peito, a gente enche o peito. A gente não enche a parte de baixo igual criança e isso é uma forma da gente fazer o fluxo do ar entrar no nosso corpo. 

A respiração tem sido minha melhor amiga em relação a ansiedade. Também movimentar o corpo, correr. Nem que eu vá ao mercado, dar uma corridinha de dois minutos só pra suar o sovaco. Tô ótima! As pessoas não sabem que tipo assim: “Pra que eu vou caminhar? eu não quero emagrecer” Eu não quero que você emagreça, eu quero que a sua cabeça fique boa, só!

Foto: Reprodução Instagram (@th4ys)

O que é bem-estar pra Th4ys?

Wellness para mim é uma rotina de cuidados e não está ligada a questões e

stéticas. Fazer uma comida, um jantar agora, eu vou tá sendo wellness. Vou tá cuidando da minha casa, cuidando do meu corpo… Se eu ficar cinco minutos com a minha gata, isso também é ter esse mood wellness. 

Não é sobre se restringir a questão estética. E é isso que a gente é educado a entender sobre wellness. Não é sobre hipertrofia e subir em um palco, se bronzear, pegar peso. É tá cozinhando para você, tomando um vinho, ficando bêbada na cozinha a noite, sim!

Qual a real sobre esse tal movimento wellness? Vem saber!

Maconha e Vinho Rosé

É sobre responsabilidade. A gente é muito irresponsável. A minha relação com a maconha foi muito precoce, eu comecei a fumar com treze anos, foi muito cedo. 

Eu tinha essa relação que a maconha ia me libertar de uns traumas muito gigantescos e depois eu comecei a entender que não era sobre isso. Eu comecei a regular o beck, a entender que a maconha era algo só pra me deixar mais alegre ou me dar down. Foi quando eu comecei a estudar sobre a sativa, eu comecei querer a buscar. Então essa minha relação com ela é tipo um vinho rosé. Mas ela é proibida, sabe? Ela [a maconha] tem um tabu filha da puta. Eu não posso fumar um beck na frente da minha casa, mas meu vizinho pode descer o corredor inteiro fumando Marlboro e contaminando tudo.

Hoje a maconha é minha amiga quando tô precisando dela. Quero quero me encontrar com ela todos os dias, porque é gostoso. mas, se for em excesso, vai começar a ser nociva para mim”. Tem aquela amiga que a gente ama muito, mas a gente não suporta ficar com ela dez horas do nosso dia.

Eu vou interligar o indigena, o espiritual e o terreiro, pode ser? A maconha é muito ancestral, a gente tem muitas histórias de curas, de cicatrização até de skincare. Dos ácidos que tem dentro da maconha, ela tem princípios ativos com ácidos igual ao barbatimão, igual a arruda. Eu sempre vi como uma erva, igual eu vejo a Santa Sara como mãe de todas as ervas.

“Falavam: ‘Amiga, eu não vou ser parada, relaxa’”

A problemática para mim foi quando eu virei a chavinha do sair do prensado para  ir pro colômbia. Eu tava muito incomodada com a questão de estar fumando algo que sei lá. Tava vindo de um assassinato. Meu primo poderia ter morrido para me passar esse beck. Então eu comecei a ver isso, e isso só veio porque eu sou uma mulher preta. Isso só vem para pessoas brancas porque alguém teve que conscientizá-las sobre. 

Então, a gente tem microbolhas e as pessoas não falam sobre a problemática da Cannabis em relação a números populacionais de cárceres, réus primários pretos que estão presos porque foram apreendidos com dez gramas de maconha. Quando eu comecei a ver isso foi lá para os meus quatorze, quinze anos. Comecei a ter essa percepção racial de que eu era uma menina preta. A minha mãe sabia: “Você é preta, você é filha de preto. Eu sou uma mulher indígena e seu pai é um homem preto retinto.” Fé! 

”Situação racial atrasada”

Eu sempre soube disso, mas quando eu era parada [pela polícia] e minhas amigas não, eu comecei a tipo… Oi? Quando você cresce sabendo que você é uma menina preta e que se você for pega com cinco gramas de maconha você pode tomar um murro na cara. E a sua amiga não porque você está numa situação, infelizmente, racial atrasada. Eu comecei a ter esse entendimento e comecei a entocar beck. Com quatorze anos eu tava arrumando esconderijo para entocar beck pra sair na rua. Coisa que as minhas amigas não faziam, porque elas falavam: ‘Amiga eu não vou ser parada, relaxa.’ 

Quando eu comecei a virar essa chavinha com essa idade, eu comecei a ser a curiosa do facebook. Eu conheci o ‘Quebrando o Tabu’, foi a época mais ou menos do Rafael Braga. Então uma coisa foi consequentemente interligando a outra,  eu tive essa chavinha adolescente. Muita gente da nossa idade não tem essa percepção.

Eu tenho amigas brancas que sabem da periferia, das problemáticas. E ganham dinheiro pra caralho, mas continuam fumando beck da biqueira. Como é que consegue enfiar isso no corpo sabendo que, gata, meu primo tá morrendo. Alguém da minha cor ali tá se fudendo porque você tá passando despercebido aí dentro. Eu comecei a ter essa percepção muito cedo. 

“Vou virar uma maga, uma bruxa”

Acho que nessa pandemia, todo mundo quis mostrar que sabia fazer algo e a gente compartilhou muito as coisas. Chegou no segundo mês e eu já estava saturada de tanta coisa que tava acontecendo na minha frente, de tanto conteúdo. Isso fechou a minha cabeça. Falei ‘Como é que eu vou conseguir produzir com tanta coisa acontecendo, tantas incógnitas e muito conteúdo e muita live e muito tudo? E eu agoniada. 

Fiquei me cobrando muito, sabe? Aí eu falei, sinceramente eu preciso muito focar no meu espiritual. O momento da pandemia foi o momento que eu mais me conectei com o meu espiritual, ao ponto de levantar muito cedo só para tomar banho de ervas.

Eu tive essa chavinha de que eu tava me cobrando demais, que eu precisava ser produtiva a todo momento, já que eu tava em casa. Foi um momento de autoconhecimento, de novo. Por que assim, a gente se conhece? Eu sou assim hoje, eu tô me descrevendo, mas amanhã eu vou mudar a narrativa porque eu vou acordar com outra cabeça e outro humor. Porque eu descobri outra coisa de mim.

2021

Para 2021 eu quero comprar o meu apartamento, porque eu não sou boba. Quero parar de pagar aluguel. Mas na questão espiritual, eu quero tentar evoluir espiritualmente em relação à minha cabeça e ao meu orixá. Eu quero muito me conectar com a minha mãe de cabeça, eu tenho muitas características dela. Eu preciso estudar muito, eu sei que o estudar vai levar o meu espiritual para um nível tão foda que eu vou virar uma maga, uma bruxa.

Não disse que a Thays é foda? Aqui no Nowdays People você pode sacar mais conversas como essa. No Basics cê vai encontrar conteúdos sobre métodos alternativos de Wellness, uma verdadeira enciclopédia sobre nossa amada planta no Cannabis de A a Z. E também novidades e questões legislativas no Reality Check. Se tiver brisando aí, dá uma passeada pela plataforma, fica à vontade. E, se quiser, conta pra gente o que achou por meio das nossas redes @nnowdays.