Maconha - Prensado, o que é? Da onde vem? Por que faz mal?
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Prensado: a má qualidade não é o único problema!

Hoje no cannabis de A a Z, vamos dichavar a maconha prensada e te contar tudo sobre ela, que é a forma mais consumida da planta por brasileiros.
by Michelle, May 31, 2021
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O prensado é a realidade da maioria dos maconheiros e maconheiras do Brasil. É a opção mais barata e também a mais fácil de se ter acesso. Por isso, resolvemos dichavar o prensado: O que é? De onde vem? Porquê é tão mal falado? Faz mal pra saúde? Dá pra salvar? A má qualidade é o único problema? Vem saber!

O que é o ‘prensado’?

Aquela coisa de ‘só acredito vendo’ não funciona no caso da maconha prensada. Ao ver uma paranga ao lado de uma flor de cannabis in natura, é difícil de acreditar que em algum momento elas foram parecidas. Mas, o prensado é simplesmente um monte de flor de cannabis prensada.

Aqueles buds gordinhos que você vê nas nossas fotos do instagram ocupam um baita espaço, né? Prensar a maconha foi o jeito encontrado para transportar a maior quantidade da erva no menor volume possível. Por causa da ilegalidade, ser discreto é essencial…

Ou seja, o famoso prensado existe basicamente como uma estratégia de logística, para armazenar e transportar maconha, e assim tentar driblar as autoridades. 

De onde vem?

A maior parte do prensado que é vendido no Brasil vem de plantações ilegais no Paraguai. Para suprir a nossa demanda, o país se tornou o principal produtor sul-americano da erva ilegal, com estimativa de 15.000 a 30.000 toneladas por ano, segundo o El Surti. Apesar de em menor quantidade, o país também abastece o mercado ilegal da Argentina, Chile e Uruguai. 

Com pouco mais de 7 milhões de habitantes, o Governo do Paraguai estima que existam cerca de 7.000 hectares de plantações ilegais de maconha no país. O mercado emprega pelo menos 20 mil pessoas.

Às vezes, famílias inteiras trabalham em plantações pertencentes a máfias “brasiguaias” (descendentes de brasileiros) ou do maior grupo criminoso da América do Sul, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo reportagem do El país e El Surti. 

O transporte de toda essa maconha é feito por rotas terrestres, aéreas e fluviais.

Como o prensado é feito?

produção de prensada paraguaio
(Foto: Matias Maxx/Agência Pública)

A agência pública fez uma reportagem em 2017 que conta detalhes de toda a cadeia produtiva da maconha paraguaia. Imagina o trabalho que dá cultivar, colher, prensar, embalar, esconder e transportar essas quase 30 mil toneladas de maconha por ano. 

Vale lembrar que tempo é dinheiro, ainda mais no contexto de um mercado ilegal. A ideia é fazer tudo o mais rápido e de maneira mais discreta possível. Então, esses processos acabam sendo feitos de maneira inadequada. 

Aqueles buds gordos e lindos que todo mundo ama não são colhidos já daquele jeito, prontos para fumar. Existe toda uma maneira de obter a melhor qualidade possível da planta. Rígidos padrões seguidos por cultivadores profissionais.

Nas plantações ilegais, a colheita é feita sem muitos critérios, as flores são estendidas e ficam abafadas numa lona para secagem. Depois, passam por um tipo de ‘peneira’ pra tirar as folhas maiores. Então, as flores são ensacadas junto com galhos, sementes, folhas menores e tudo o mais que estiver por perto.

Elas ficam nesses sacos até irem para a prensa, o que impede que a umidade vá embora completamente. Como você deve lembrar, ambientes úmidos são o cenário ideal para proliferação de fungos e bactérias.

Pra piorar, além de úmidas, nesse processo todo as flores também acabam expostas a todo tipo de interferência da natureza, como sol, chuva, vento, poeira e insetos. 

Algumas vezes, os estoques de maconha já prensada são enterrados por até um ano, por questões de logística ou segurança. Em quase todos os casos, a maconha enterrada acaba pegando mais umidade e fermentando.

O que posso encontrar no meu prensado?

Cada paranga é uma caixinha de surpresas. Na verdade um bloco, né? Mas, fala sério, você com certeza já ouviu alguma história de alguém achou uma baratinha ou outro bichinho no pren.

Isso acontece porque a flor fica exposta e sujeita a tudo ali antes da prensa. Qualquer bichinho que estiver no meio da planta é prensado junto. Então, seres que já foram vivos podem ser encontrados no meio do seu beck. Atenção na hora de bolar!!!!

Por conta desses vários vacilos na cadeia de produção, o prensado pode mofar e até entrar em processo de decomposição e fermentação. 

Por isso se ouve falar tanto em amônia no prensado. Esse cheiro característico é produzido pela planta que já passou da validade. Estragou, mofou, enfim. Sempre que o cheiro for de amônia, bom sinal não é. 

Prensado faz mal?

Entender o processo de produção do prensado é tipo descobrir como a salsicha é feita, né? Não precisa de muito mais para provar que sim, o prensado pode causar danos à saúde de quem consome. 

O médico João Menezes falou à Agência Pública: “Quando você está sempre exposto a esse fungo, fumando prensado mofado continuamente, você aumenta a possibilidade desse fungo te causar um problema.”

Má qualidade é resultado direto do proibicionismo

Para a maconha chegar na sua mão, um monte de questões vão se sobrepondo e sustentam a guerra às drogas até hoje. A cannabis passa por várias etapas e processos que só são feitos dessa forma por estratégia de logística.

Consumidores do prensado usam algo que não tem um controle de qualidade. Fumamos algo que não temos ideia da concentração de THC, outros canabinóides ou componentes que podem fazer mal à saúde. 

Mas, pra além da má qualidade, o prensado é resultado direto do proibicionismo.

No Brasil, quem tem dinheiro não fuma prensado e têm até aqueles que debochem de quem usa. Enquanto isso, milhares de jovens são ou estão presos por causa de maconha, na grande maioria, prensado.

Pra reduzir os danos, até existe a possibilidade de lavar o prensado.

Mas, melhor que isso é lutar pela regulamentação e legalização da erva. Pra que pessoas parem de morrer e sejam presas por isso. E também para que todos tenham direito aos efeitos terapêuticos da erva. Com consciência e conhecimento do que está comprando.

É inaceitável que pessoas tenham que colocar a própria vida em risco para suprir uma demanda gigante de um país que se recusa a discutir de forma madura o assunto.

Sim, é foda entender um pouco mais da injustiça que rola no nosso país em relação à planta (e à tudo na verdade). Mas é importante que a gente se mantenha informado.

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