Nowdays & Girls in Green em: Redução de Danos for beginners
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Nowdays & Girls in Green em: Redução de Danos for beginners

Nos juntamos com quem entende do assunto pra montar um guia sobre redução de danos. O termo tá na moda, mas muita gente ainda acha que é frescura ou confunde com apologia às drogas. Vamos descomplicar?

by Michelle, Aug 27, 2021
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Vem cá, você já ouviu falar em redução de danos? A Alice Reis, psicóloga e co-fundadora do Girls In Green, é especialista no assunto. Ela colou com a Nowdays pra montar um resumão sobre como as estratégias de RD surgiram e evoluíram ao longo dos anos. 

A Alice estuda sobre redução de danos desde 2013, colaborou com projetos e coletivos e faz um papel muito foda de espalhar a informação de que reduzir danos é uma ‘apologia ao cuidado’: “É aceitar que o uso de drogas sempre vai existir e que cabe a nós tentar reduzir os possíveis danos, não só do uso, mas também das próprias políticas proibicionistas. Acreditar numa sociedade livre das drogas é uma ilusão absurda.’’ 

Tudo a ver com a Nowdays também, né? Redução de danos é uma parada que envolve várias frentes com um mesmo objetivo: levar autonomia ao indivíduo e estimular seu autocuidado por meio da informação – ao invés da punição: “Informar e educar é multiplicar o conhecimento de forma que você não consiga nem medir o impacto. É fortalecer e aumentar a autonomia do indivíduo, para que ele consiga tomar a decisão mais pertinente para ele naquele momento.”

Redução de danos é sobre tratar o uso de drogas como uma questão de saúde pública e bem-estar!

Como surgiu?

Apesar de ainda ser novidade pra muita gente, o termo ‘redução de danos’ foi usado pela primeira vez em 1926, na Inglaterra. O “Relatório Rolleston” permitia a prescrição de opiáceos (derivados do Ópio) para lidar com síndromes de abstinência de dependentes químicos de Heroína. Foi a estratégia encontrada para que o usuário conseguisse controlar o uso e atravessar o momento da abstinência de uma forma menos danosa.

No fim da década de 80, a transmissão de vírus como o HIV e a Hepatite B fez com que a redução de danos fosse de fato colocada em prática. Os próprios usuários estavam preocupados e criaram uma associação, a Junkiebond

Eles demandaram ações e junto com o governo, criaram estratégias de redução de danos, como trocar agulhas usadas por novas. O objetivo era diminuir o contágio de doenças transmissíveis por drogas intravenosas, e não propor a abstinência. 

O primeiro centro de Redução de Danos, na Inglaterra, foi o Maryland Center, em Liverpool. Além da troca de seringas e agulhas, também faziam distribuição de heroína e terapias de substituição para os dependentes. Ao controlar a dose disponibilizada da substância, reduziram as mortes por overdose e puderam controlar sua qualidade.

Hoje em dia

As estratégias de redução de danos passaram a ser aplicadas ao consumo de drogas em geral, sejam elas proibidas ou não. O objetivo principal segue sendo reduzir riscos e danos a partir de várias práticas relacionadas ao cuidado e bem estar dos usuários. 

Lembra quando a gente falou de autonomia ali em cima? RD é sobre dar ferramentas ao usuário que não tem como objetivo necessariamente parar de usar determinada substância. 

Quando falamos sobre a pausa da tolerância ou as dicas de como prevenir a bad de maconha ou a real sobre o beck de pontas, estamos te apresentando formas de ter um uso mais responsável de algo que a gente curte, que é a maconha. 

Não tem julgamento ou régua moral quando se trata de reduzir danos. A RD acredita que “bem ou mal, as drogas lícitas e ilícitas fazem parte desse mundo e escolhe trabalhar para minimizar seus efeitos danosos ao invés de simplesmente ignorá-los ou condená-los” (Harm Reduction Coalition, 2002-2003). 

As estratégias de RD evoluíram muito, se ampliando para vários contextos e se adaptando ao que vai surgindo. Aqui no Brasil, evitar fumar um baseado na rua, ou substituir o prensado já é uma estratégia de redução de danos, por exemplo.

Redução de danos em raves e festivais

redução de danos Alice Girls In GreenÉ fato que festas de música eletrônica, as raves, tem alto consumo de drogas. Pensando no bem-estar e saúde dos usuários, organizações e coletivos ocuparam um espaço importante nesse contexto com centros de convivência e intervenções que têm como objetivo principal ser um ambiente acolhedor e livre de julgamentos.

A Alice faz parte do coletivo ResPire, e também atuou como redutora de danos em festivais na gringa. Além do chamado ‘SOS Psicodélico’, em que a galera procura ajuda pra lidar com efeitos indesejados e experiências ruins, o trabalho também pode ser chamado de acompanhamento terapêutico, e é adaptável para cada situação, tipo ajudar a ir ao banheiro, encontrar os amigos, se hidratar, dar uma descansada.

Ela fez um lembrete importante: “As pessoas só podem ficar no nosso stand se estiverem com sinais vitais bons, se não o trabalho não é o nosso, é da equipe médica e bombeiros.” 

Além de auxiliar na hora de possíveis crises, nos stands também rola muito trabalho preventivo. “Ter esse diálogo aberto, reduzir possíveis danos sugerindo meias doses, alertar para poliuso (mistura) de substâncias que podem ser perigosas. Além da informação, o vínculo também é muito importante.”

Redução de danos e maconha

Ao falar da redução de danos no uso da maconha, logo se pensa no poder das piteiras: Quanto mais longa, melhor. Mas, depois desse mar de informações que a Alice compartilhou com a gente, deu pra sacar que até a tomada de decisões simples, como preferir não fumar um com determinadas pessoas, já é redução de danos.

Cuidar da saúde mental, racionalizar e refletir sobre o papel da planta e de outras substâncias, como o álcool, na sua vida também é uma redução de danos.

Pra ficar registrado: além da piteira que finalmente está deixando de ser considerada frescura, escolher outros métodos, como a vaporização da erva, também reduz danos, já que não envolve a combustão.

Que isso, hein? Informação é poder, mesmo! Já sabia isso tudo sobre as estratégias de redução de danos? Corre pra seguir o @girlsingreen710 e acompanhar a trajetória da Alice!

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