Nada de indicas e sativas: Todas as variedades da maconha são híbridas
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Nada de indicas e sativas: Todas as variedades da maconha são híbridas

No Cannabis de A a Z de hoje, vamos te provar que sativas e indicas puras não existem mais e que essa forma de catalogar cepas de cannabis não serve para falar sobre efeitos da planta.

by Michelle, Jul 28, 2021
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No primeiro Cannabis de A a Z da história da Nowdays, desmentimos algumas informações sobre a planta que rodam por aí. Uma delas é que não é verdade que toda sativa dá sensação de energia e toda indica relaxa e dá sono. Hoje vamos entrar mais profundamente na questão das variedades da maconha.

É uma pergunta clássica entre maconheiros: “você prefere sativas ou indicas?” Mas ela não faz o menor sentido. Esses termos não dizem respeito aos efeitos daquela variedade. 

Sem chilique! Indicas e sativas são termos reais e que diferenciam subespécies da Cannabis, mas o que passaram a representar no meio canábico é mentira das brabas. 

Se você curte o assunto e categoriza suas strains favoritas dessa forma, deve tá se perguntando: “Como vou fazer, então?’’ Já se você curte o assunto e tá boiando, tá tudo bem, também. Não é todo mundo que tem que ser nerd sobre canabinóides, terpenos e toda a bioquímica da planta.

Mas, pra entender os efeitos das infinitas variedades da maconha, a gente tá aqui pra descomplicar algumas paradas pra você. E principalmente, pra você não se deixar ser enganado por propagandas enganosas mundo afora ;). 

A real sobre Sativa versus Indica

planta maconhaTá, então se o mais popular dos mitos é mito, qual é a real diferença entre sativa e indica? Se você chutou que a resposta é que as indicas têm mais THC do que as sativas, errou. Porque também não é verdade. 

Tudo começou quando as variedades originais da maconha passaram a ser estudadas. Conforme os botânicos foram percebendo que plantas de vários locais tinham características físicas diferentes entre elas, deram nomes para classificá-las. 

Hoje, sabe-se que as variedades, cepas ou strains, são subespécies da cannabis. E essas que foram descobertas primeiro são aquelas em que a genética cresceu, evoluiu e se estabilizou em seus ambientes naturais pelo mundo. 

Resumindo: A diferença entre as variedades da maconha está nas características de crescimento, tempo para a floração, altura e densidade das plantas e flores. 

Cannabis sativa 

As plantas sativas crescem altas e com folhas finas. Foram classificadas pelo botânico sueco Carl Linnaeus em 1753 enquanto estudava plantas europeias. São mais adaptadas a climas mais quentes, e têm ciclo de floração mais longo.

Cannabis indica 

As plantas indicas crescem largas, tipo arbustos e com flores densas. A subespécie foi apresentada por Jean-Baptiste Lamarck em 1785 enquanto estudava variedades da Índia. Costumavam crescer em climas mais frios com estações mais curtas, por isso têm um ciclo de floração mais curto. 

O mundo das híbridas

Além dessa diferenciação não fazer sentido para categorizar efeitos, tem mais um ponto: Não existem mais indicas e sativas verdadeiras por aí. Nem nas prateleiras dos dispensários dos lugares legalizados, muito menos na mão do seu contato aqui no Brasil.  

Essas linhagens originais são bem difíceis de encontrar. Isso porque, assim que foram catalogadas, botânicos começaram a fazer experiências de cruzamentos genéticos a partir de duas ou mais variedades, que resultam nas híbridas.

A partir daí, entenderam que podiam moldar novas variedades com características mais favoráveis para quem fosse cultivar. A partir daí, a pira ao redor do mundo era criar a melhor variedade possível, e cruzamento após cruzamentos, as genéticas originais se diluíram e estão cada vez mais difíceis de encontrar.

Fenótipos

Isso porque as sementes ‘originais’ plantadas em locais diferentes do que evoluíram, dão origem à novas variedades da planta. Chamadas de fenótipos, são versões com genética semelhante, mas características determinadas pelo ambiente de cultivo. Essa é a magia da Cannabis: uma planta altamente adaptável.

Essas diferenças podem ser vistas na estatura, no desenvolvimento e na composição química de uma planta de cannabis tradicional. E resulta em variações nos tempos de floração, perfis de canabinóides e conteúdo de terpenos.

Por exemplo, se você por acaso tiver uma semente de uma linhagem original do Afeganistão e plantar ela no clima aqui do Brasil, você não terá uma Hindu Kush verdadeira como resultado. E sim um fenótipo com características diferentes das cultivadas nas montanhas afegãs. A não ser que você controle rigorosamente as condições em ambiente fechado.

Níveis de THC e CBD nas variedades

Essa pira pela melhor strain foi crescendo conforme o conhecimento sobre o cultivo de maconha avançava. Cultivadores hibridizam variedades para criar novas, com as características genéticas que consideram a melhor planta como resultado:

– as que rendem grande volume de flores;

– com alta porcentagem de THC;

– que têm força durante o cultivo. 

O resultado é que a maioria das variedades têm níveis super altos de THC. Agora, com o aumento do hype pelo CBD, voltaram a pipocar nos lugares legalizados, as variedades de flor com altos níveis de CBD e baixo THC, o famoso Hemp, ou cânhamo. 

Porque todo mundo ainda usa essa nomenclatura?

Basicamente, toda essa história de sativa e indica ainda é repetida porque funciona como estratégia de marketing. Funciona para vender mais, baseado em efeitos que podem ser sentidos por quem compra determinada strain.

O mercado se moldou para encaixar as variedades nas caixinhas de ‘predominantemente sativa’ e predominantemente indica’ porque os consumidores se acostumaram dessa forma. 

A conclusão disso tudo é que os termos indica e sativa são válidos pra quem cultiva, já que dizem respeito à duração do ciclo de floração e às características físicas da planta. Para sacar os efeitos, tem que prestar atenção no perfil canabinóide e de terpenos daquela strain. O foda é que esse papo todo é bem subjetivo pra gente aqui no Brasil, né? Qual será o perfil canabinóide do prensado e do colombinha? 

Vamos falar mais sobre isso em breve! Fica ligado.

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